Uma história contada pelo Caboclo Pena Branca. Vale a pena conferir.

Há muitos anos atrás, em cerca de 1743, Pena Branca era um homem forte e determinado.
Como sempre, muito concentrado, percebeu que um homem muito assustado se aproximava de sua tribo.

O homem passava o sentimento de transtorno e desespero, pois sua vida estava realmente uma grande lamuria.

E sem querer, este homem entrou em sua tribo e totalmente desesperado, chegou gritando pedindo por socorro. Pena Branca se levantou e o segurou, lhe perguntando:
-O que houve meu filho?

O jovem olhou em seus olhos e falou:
-Eu estou transtornado, minha vida é uma lastima, eu não sei mais o que fazer, mas desde o dia que eu concordei com aquilo, eu comecei a perder minha saúde.

Pena Branca o ajudou a sentar-se perto do fogo, pois a noite estava fria, porém, o jovem homem estava suando frio, pelo seu desconforto.

Pena Branca humildemente, perguntou:
-O que você faz meu jovem?

O jovem tomou um gole do chá que o velho Pena Branca lhe servia e dando um grande suspiro, desabafou:
-Hoje eu tenho minha empresa, mas confesso que não a fiz dignamente! Eu estou enlouquecendo, preciso urgentemente de ajuda!

Pena Branca não precisou de mais detalhes e logo lhe falou:
-É a sua filha, eu sei! Por que teve a coragem de fazer isso o que fez? Nós podemos ter nossa família, amigos e conhecidos, mas jamais, devemos dar o sangue do próximo para o nosso bem estar. Isso é covardia!

O jovem homem sabia que o que ele tinha feito era extremamente desumano, mas a sua culpa o consumia todos os dias, a cada hora, minuto e segundo. A sua paz tinha ido embora, pois o arrependimento era tudo o que ele sentia, então, Pena Branca, falou:
-Eu sei que vocês homens da cidade pensam que o dinheiro é tudo, mas se ficasse aqui em minha tribo, iria ter a certeza de que essas moedas não valem nada e faz com que todos os homens cometam as piores loucuras.

O jovem estava indignado consigo mesmo e havia uma duvida em sua mente e, Pena Branca, como um bom feiticeiro e um vidente nato, falou:
-Pode perguntar o que quer perguntar.

O jovem o olhou fixamente dentro de seus olhos e perguntou:
-Por que o dinheiro faz com que a gente cometa tais loucuras? Por que Deus permitirá tal tentação? Isso com certeza não foi criado por Deus, certo?

Pena Branca fechou seus olhos e o respondeu claramente:
- Meu filho, se não déssemos ouvido as tentações, o dinheiro não seria algo tão ruim. O mal sempre estará a nossa volta e se não soubermos afastar tais tentações, cometeremos coisas que não devíamos e depois nos arrependemos, pois aquela audácia de cometer tal coisa, já não era somente sua, o próprio Demônio faz com que fiquemos dessa forma, mas no momento, como somos fracos, deixamos aquilo tomar conta e depois de feito, voltamos a ser o que somos e percebemos que o que fizemos não era de Deus.
O dinheiro não deve falar mais alto que a voz de Deus. O Demônio não criou nada! Nem mesmo o dinheiro. Muitos acham que o dinheiro é do mal, mas o mal é somente o mal, ele faz maldades, crueldades, faz com que a gente destrua o nosso próprio planeta, o nosso próprio semelhante, faz com que a gente erre até mesmo com aquele que amamos, pois o mal traz a destruição do bem. E tudo o que é bom, o mal faz parecer ser ruim. Ele faz de tal forma, que o que é realmente bom, acaba sendo esquecido ou outras coisas como o dinheiro, acaba sendo um vício, quanto mais tem, mais quer e com isso surge também o egoísmo e a desigualdade. Coisas que muitos culpam Deus, mas na verdade, nós mesmos quem o criamos. Ajudamos o mal a criar essas coisas, porque damos ouvidos somente ao mal e pouquíssimas vezes a Deus, muitos acham ridículo pedir a Deus ou ouvi-lo, mas acham mais fácil seguir o caminho da tentação.
E eu lhe pergunto, o que tem a sua filha a ver com aquilo que estava lhe atentando?
Já que ofereceu a pura alma de sua menina, terá que resolver isso em carne e assim que for resolvido, falecerá e ficará no lugar da menina.
Não faça nada errado, o mal é traiçoeiro e poderá puxar a ti e a menina também. Então, terá que trocar uma alma por outro, conceder a alma de sua filha foi algo muito tenebroso. A menina não iria vir mais a terra e por isso o mal lhe fez acreditar que com a alma dela, tudo iria ficar bem. Mas o mal lhe cobrará até o dia de sua morte.
Não trabalhe com o mal meu filho, pois o mal pode lhe trazer aquilo que tanto deseja, mas ele leva toda a vossa paz e tudo aquilo que antes era agradável ao seu coração, hoje não é mais.
Ao lado de Deus, você poderia ter tudo o que tem e ainda estaria com o conforto e a paz em seu coração.

O jovem homem assustado, perguntou:
-Mas por que eu terei que morrer?

Pena Branca suspirou e falou:
-Você acha que o mal lhe poupará? Acha que o mal é generoso igual a Deus? O que você acha que lhe acontecerá, se a tirasse de lá sem nenhuma troca?

O jovem homem ficou pensativo e falou:
-Bem, seria-me tirado tudo o que me foi dado. Minha empresa e minha casa, mas eu conseguiria isso novamente.

Pena Branca sorriu e lhe perguntou:
-Já que me disse com tanta confiança que você traria isso tudo novamente... Por que fez o que fez da primeira vez, se poderia ter trazido tudo isso com seu trabalho dignamente?
Agora terá a consequência do que fez. As consequências são os aprendizados, para que não sejam feitos novamente. E isso não é um castigo de Deus, é um castigo que você mesmo se colocou. Deus não tem culpa dos nossos atos, pois pedimos a libertação para fazermos aquilo o que queríamos fazer e ai está... Agora, assuma o papel de um bom homem e de um bom pai, quanto mais você hesitar pior será. Cumpra o que deve ser cumprido e se arrependa após a morte, assim, Deus terá piedade de vossa alma e lhe buscará para o tratamento e o esquecimento e  terá mais uma chance na terra de fazer o bem a ti e aos próximos.

O jovem homem o compreendeu rapidamente e ao se levantar, falou:
-Foi uma honra conhecê-lo! Espero algum dia ter a mesma sabedoria que o senhor.

Pena Branca humildemente falou:
-A minha sabedoria veio dos meus sofrimentos, das minhas boas observações e das horas certas que me calei e aprendi a ouvir.
Você é uma boa alma, Robert! Pena que decidiu ir para um mal caminho, ele lhe pegou em sua fraqueza e saiba que errar é humano, mas devemos ser mais fortes do que isso, pois o que habita nessa nossa carne, é uma força vinda por Deus, ele nos criou e, com isso, temos a força dele dentro de nós.

O jovem homem se emocionou e falou:
-Eu não me lembro de ter dito o meu nome, mas com a vossa sabedoria seria impossível não saber. Eu lhe agradeço e espero que Deus tenha piedade de minha alma.

O jovem homem ia se despedindo, quando Naomi, filha do chefe Pena Branca, se aproximou e perguntou:
-E o senhor não quer mesmo saber como salvar a vossa filha e até a si mesmo?

Robert ficou encantado com Naomi e perguntou:
-Quem é você minha jovem?

Naomi se apresentou a Robert e pedindo permissão a seu pai, falou:
- Eu tenho uma solução a você.

Robert ficou entusiasmado e perguntou:
-E o que seria Naomi?

Naomi sentou-se perto da fogueira e com um sorriso sereno, falou:
-Doe todo o dinheiro que o senhor tem e feche a empresa. Tudo o que lhe foi dado, será fechado ou doado. Quanto a sua filha, traga ela aqui e lhe ajudaremos, pois se o senhor está sendo perturbado com o vosso arrependimento, quer dizer que pode ainda em vida, ser perdoado, mas se fizer tudo isso que estou lhe dizendo.

Robert não viu problema algum em doar o dinheiro e em fechar a empresa, mas ficou um pouco pensativo sobre a recuperação da alma de sua filha e Pena Branca ao analisar sua mente, falou:
-Pode ser loucura para muitos, mas minha filha consegue ouvir a voz de Deus e se ela está lhe dizendo isso é porque há sim uma chance. Eu confio em minha filha plenamente e podemos sim tentar.

Robert se entusiasmou e falou:
-Tudo bem! Eu farei isso e trarei minha filha aqui em sua tribo senhor Pena Branca.

Continua...
 
Ficou curioso? 
Então não perca a próxima postagem, em breve.


Lembre-se, sempre ouça a voz de Deus, pois ele faz moradia dentro de nós, somos feitos da vossa luz e da vossa essência o bem deve ser ouvido alto e claramente. 





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